sábado, 9 de setembro de 2017

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS
3º Trimestre de 2017
Título: A razão da nossa fé — Assim cremos, assim vivemos - Comentarista: Esequias Soares
Material de apoio gratuito aos professores e alunos de escola dominical que utilizam as revistas da CPAD

- Lição 11 -
10 de Setembro de 2017

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A Bíblia mostra a segunda vinda de Cristo em duas fases: a primeira é o arrebatamento da Igreja, e a segunda é a sua vinda em glória. Entre esses dois eventos, haverá na terra a Grande Tribulação, o julgamento divino sobre todos os moradores do mundo e no céu o Tribunal de Cristo seguido das bodas do Cordeiro. O nosso enfoque aqui é a fundamentação bíblica desses eventos. Mas o tema escatológico não se esgota com o que trataremos e a sua continuação se dará na próxima lição. [Comentário: A Segunda vinda de Jesus Cristo é a esperança dos crentes de que Deus está em controle sobre todas as coisas e é fiel às promessas e profecias em Sua Palavra. É tão certa como foi a sua primeira vinda. As profecias bíblicas sobre o nascimento, morte, ressurreição e ascensão de Jesus se cumpriram literalmente no tempo determinado por Deus. Existem mais de 300 referências proféticas só no Novo Testamento sobre a segunda vinda. É a Palavra inerrante, infalível do Deus que não pode mentir que certifica a realidade da segunda vinda de Cristo. O Arrebatamento e a Segunda Vinda de Cristo são frequentemente confundidos. É difícil determinar quando a Bíblia está se referindo ao Arrebatamento ou à Segunda Vinda. No entanto, ao estudar as profecias bíblicas do fim dos tempos, é muito importante poder diferenciar entre os dois. O Arrebatamento é quando Jesus Cristo retorna para remover a igreja (todos os seguidores de Cristo; Há quem creia que somente os batizados com o Espírito Santo subirão, não há amparo bíblico para isso.) da terra. O Arrebatamento é descrito em 1 Tessalonicenses 4.13-18 e 1 Coríntios 15.50-54. Os crentes que já morreram serão ressuscitados e, juntamente com os crentes que ainda vivem, vão se encontrar com o Senhor no ar. Isso acontecerá em um momento, em um piscar do olho. A Segunda Vinda é quando Jesus retorna para derrotar o anticristo, destruir o mal e estabelecer o seu Reino Milenar. A Segunda Vinda é descrita em Apocalipse 19.11-16. É importante salientar que existem três escolas distintas de interpretação a respeito do arrebatamento da Igreja. Elas abrem espaço para entendermos como e quando ocorrerá esse grandioso evento.
1. Pós-tribulacionista.
Essa escola interpreta que a Igreja remida por Cristo passará pela Grande Tribulação.
2. Midi-tríbulacionista.
Ensina que a Igreja entrará no período da Grande Tribulação até a sua metade. Seus intérpretes se baseiam numa interpretação isolada de Dn 9.27, cujo texto fala que depois do opressor firmar um concerto com Israel por uma semana, “na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”.
3. Pré-tribulacionista. Podemos começar entendendo essa escola de interpretação com as palavras de Paulo aos tessalonicenses, quando escreveu: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”, 1Ts 5.9. Ensina que o arrebatamento da Igreja ocorrerá antes que se inicie o período da Grande Tribulação. É uma interpretação que honra as Sagradas Escrituras e ajusta-se devidamente à esperança cristã da volta do Senhor nos ares.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

PONTO CENTRAL
A segunda vinda de Cristo se dará em duas fases: o arrebatamento e a vinda.

l - OS EVENTOS DO PORVIR


1. Fonte de predição. Não há outra fonte de predições verdadeiras a não ser. Bíblia Sagrada, por meio da qual Deus nos diz tudo o que precisamos saber sobre os eventos do porvir. Ela é a única fonte confiável. Esses eventos são uma série de acontecimentos do epílogo da história humana que envolve o arrebatamento da Igreja (1 Ts 4.16,17), a vinda de Jesus em glória (Mt 24.30; Ap 1.7), o juízo de Deus sobre a terra no fim dos tempos (Mt 24.21), o futuro glorioso de Israel (Is 2.2,3) e o reino milenar de Cristo (Is 9.7; 11.10). São acontecimentos anunciados desde o princípio do mundo, desde Enoque (Jd 14) até o apóstolo João, o último dos apóstolos, no livro de Apocalipse. [Comentário: Os Profetas do Antigo Testamento não fizeram distinção entre as duas vindas. Podemos ver isto em Escrituras como Isaías 7.14; 9.6-7 e Zacarias 14.4. Como resultado das profecias aparentemente falarem em dois indivíduos, muitos estudiosos judeus acreditaram que haveria tanto um Messias sofredor quanto um Messias conquistador. O que falharam em compreender é que o mesmo Messias cumpriria os dois papéis. Jesus cumpriu o papel do servo sofredor (Isaías capítulo 53) em Sua Primeira Vinda. Jesus cumprirá o papel do Libertador e Rei de Israel em Sua Segunda Vinda. Zacarias 12.10 e Apocalipse 1.7, descrevendo a Segunda Vinda, recordam Jesus sendo transpassado. Israel e o mundo inteiro se lamentarão por não terem aceitado o Messias em Sua Primeira Vinda. Após a ascensão de Jesus aos Céus, os anjos declararam aos apóstolos: “Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (At 1.11). Zacarias 14.4 identifica a localização da Segunda Vinda como o Monte das Oliveiras. Mateus 24.30 declara: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.” Tito 2.13 descreve a Segunda Vinda como “o aparecimento da glória”. A Segunda Vinda é descrita em seus mínimos detalhes em Apocalipse 19.11-16: “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS, E SENHOR DOS SENHORES.” (1)]

2. O destino dos impérios da antiguidade. As profecias sobre os impérios antigos, como a queda da Babilônia para nunca mais se erguer no cenário mundial (Is 13.19,20) e ascensão e queda dos impérios medo-persa, grego e romano nos capítulos 7 e 8 de Daniel, entre outros profetas, se cumpriram, e a própria História confirma esses fatos. As profecias messiânicas se cumpriram com abundâncias de detalhes, como o nascimento do Messias de uma virgem, na cidade de Belém, seu julgamento diante de Pôncio Pilatos, sua morte, sua ressurreição e a ascensão ao céu, entre outros. [Comentário: O cumprimento das profecias bíblicas na Antiguidade e ao longo da história é igualmente a garantia do cumprimento das coisas futuras. Os profetas anunciaram também de antemão o destino de Israel e dos grandes impérios da Antiguidade, como Assíria, Babilônia, Grécia, Roma; tais oráculos se cumpriram no passado e outros se cumprem na atualidade (2). O Antigo Testamento com certeza profetiza sobre a vinda de Jesus como o Messias. Quanto ao nascimento de Jesus - Isaías 7.14; 9.6; Miqueias 5.2. Quanto ao ministério e morte de Jesus - Zacarias 9.9; Salmo 22.16-18. A profecia das “setenta semanas” em Daniel capítulo 9 predisse a data exata em que Jesus, o Messias, seria “morto”. Isaías 50.6 descreve corretamente a surra que Jesus teria que aguentar. Zacarias 12.10 prediz que o Messias seria “traspassado”, o que ocorreu depois de Jesus ter morrido na cruz.]
(2) A razão da nossa fé: Assim cremos, assim vivemos, Por Esequias Soares

3. Sobre as Diásporas judaicas. As profecias apontam, de antemão, as duas dispersões do povo judeu e as suas respectivas restaurações. A primeira Diáspora (Jr 16.13) e seu retorno (Ed 1.1-3); a segunda Diáspora, anunciada pelo próprio Senhor Jesus Cristo: "E cairão a fio de espada e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem" (Lc 21.24), com o seu respectivo retorno depois de mais de 18 séculos à terra de seus antepassados, tal como fora anunciado pelos profetas do Antigo Testamento, como Jeremias (Jr 31.17), Ezequiel (Ez 11.17; 36.24; 37.21), Amos (Am 9.14,15) e Zacarias (Zc 8.7,8). [Comentário: A Bíblia anunciou de antemão a dispersão dos judeus, mas profetizou seu retorno à terra de seus antepassados. Depois de cerca de 1.800 anos na diáspora, os filhos de Istarel retornaram para sua terra, e em um só dia nasceu uma nação (Is 66.8). Essa Palavra diz respeito à fundação do Estado de Israel logo após a derrota do nazismo (3). Esta última Diáspora começou depois da destruição de Jerusalém pelos romanos, no ano 70 d.C. Houve outra revolta contra Roma, liderada por Simon bar Kokhba, que foi tido como o Messias judeu, de 132-136 d.C. O imperador romano Adriano desbaratou essa revolta, devastou Jerusalém totalmente e depois espalhou os judeus, no ano 135 d.C. Como resultado disso, todas as comunidades judaicas, com exceção de algumas poucas, viveram fora da terra de Israel até o início do moderno retorno à terra, que se deu nos anos 1880. Durante o tempo da Diáspora os judeus têm cumprido determinadas profecias relacionadas ao seu destino completo(4).]
(3) A razão da nossa fé: Assim cremos, assim vivemos, Por Esequias Soares

SÍNTESE DO TÓPICO I
A fonte para todos os eventos do futuro são as Sagradas Escrituras.

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II - TERMOS BÍBLICOS PARA A SEGUNDA VINDA DE CRISTO

1. Vinda. A palavra parousia (que se pronuncia "parussía") significa "vinda, chegada, presença, volta, visita real, advento, chegada de um rei". No aspecto escatológico, este substantivo se refere tanto ao arrebatamento da igreja (1Ts 4.15) como à vinda de Cristo em glória com sua Igreja (2 Ts 2.8). O outro termo é érchomai, "ir" e também "vir". Duas coisas opostas? Sim, desde que se considere o movimento entre o ponto de partida e o ponto de chegada. Para quem está no ponto de partida é "ida", mas, para quem estiver no ponto de chegada, é "vinda". Esse verbo aparece em referência à vinda de Jesus (Jo 14.3) e também à sua vinda em glória (At 1.11; Jd 14; Ap 1.7). [Comentário: Parousia é uma palavra grega formada de pará (ao lado de) eousia (o ser ou o estar; um “ser”; derivada de ei·mí, que significa “ser” ou “estar”). Significa literalmente “o estar ao lado de”, isto é, uma “presença”. Ela é empregada 24 vezes nas Escrituras (Mt 24.3, 27, 37, 39; 1Co 15.23; 16.17; 2Co 7.6, 7; 10.10; Fp 1.26; 2.12; 1Ts 2.19; 3.13; 4.15; 5.23; 2Ts 2.1, 8, 9; Tg 5.7, 8; 2Pd 1.16; 3.4, 12; 1Jo 2.28). Na literatura grega secular, parousia tornou-se o termo oficial para a visita de uma pessoa de grande destaque – um rei ou um imperador. Érchomai –  eu  vou, do verbo érchesthai – de vai, presente histórico. Nas narrativas do Novo Testamento é utilizado com sentido pretérito.]

2. Manifestação, aparição. O substantivo grego aqui é epipháneia, que só aparece seis vezes no Novo Testamento, com uso exclusivamente paulino, e todas as ocorrências dizem respeito à vinda de Jesus, desde a encarnação do Verbo (2 Tm 1.10). O apóstolo Paulo exorta os crentes para uma vida irrepreensível até "à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Tm 6.14); "e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo" (Tt 2.13). O termo é também traduzido por "vinda" em referência ao arrebatamento da Igreja (2 Tm 4.8). O apóstolo o emprega ainda para se referir à segunda vinda de Cristo em glória: "Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino" (2 Tm 4.1), ou conforme encontra-se na Almeida Revista e Atualizada, "pela sua manifestação e pelo seu reino". [Comentário: Epifania significa aparição ou manifestação de algo, normalmente relacionado com o contexto espiritual e divino (5). Literalmente significa “manifestação”, “vir à luz”, “resplandecer” ou “brilhar”. O sentido é mais específico, porque se refere especialmente à vinda sobre as nuvens. É a volta pessoal de Cristo à Terra que acontecerá com uma manifestação visível e gloriosa (2Ts 2.8; 1Tm 6.14; 2Tm 4.6-8). Parousia é abrangente e pode referir-se tanto à vinda de Cristo para a Igreja como para o mundo. Entretanto, epiphanéia é um termo que especifica a volta de Cristo à terra de modo mais direto, porque diz respeito à Sua manifestação pessoal ao mundo (6).]

3. Revelação. O termo é apokalypsis. O apóstolo Pedro emprega essa palavra para se referir ao arrebatamento da Igreja (l Pe 1.7). Esse termo é traduzido ainda como "manifestação", também em referência ao arrebatamento da Igreja: "De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo" (l Co 1.7) ou de acordo com a versão Almeida Revista e Atualizada, "aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo". [Comentário:As palavras apokalypsis epiphaneia são utilizadas para descrever tanto o arrebatamento (1Co 1.7; 1Tm 6.14) quanto o retorno ou segunda fase da Vinda de Cristo (2Ts 1.7-8, 2.8).]

SÍNTESE DO TÓPICO II
"Vinda", "manifestação", "aparição" e "revelação" são termos bíblicos que remontam a segunda vinda de Cristo.

III - OS EVENTOS DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO

1. O arrebatamento da igreja. É o rapto dos santos da terra, um acontecimento global e simultâneo em todo planeta. A profecia contempla até fusos horários, pois uns estarão 'dormindo à noite e outros trabalhando nesse exato momento (Lc 17.34-36). Esse evento será inesperado, algo rápido, em fração de segundo, e invisível os olhos humanos: num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados" (l Co 15.52, ARA). Os mortos salvos, os que "dormiram em Cristo", ressuscitarão primeiro (l Ts 4.16b); em seguida, nós, os crentes em Jesus que estivermos vivos nessa ocasião, com o corpo corruptível já revestido da incorruptibilidade, quando aquilo que é mortal estiver revestido da imortalidade (l Co 15.53), seremos arrebatados da terra para o encontro com o Senhor Jesus nas nuvens (l Ts 4.16,17). Essa é a primeira fase da segunda vinda de Cristo, a esperança da Igreja (Fp 3.21). [Comentário: Existem alguns elementos especiais e misteriosos indicam a natureza e procedimento do arrebatamento da Igreja na vinda do Senhor. Surpresa: Esse elemento é rejeitado por alguns grupos que entendem que não haverá dois eventos distintos: o arrebatamento da Igreja e a vinda pessoal de Cristo. Ora, o que a Bíblia nos ensina é que, a Igreja, constituída pelos mortos e vivos em Cristo, se encontrará nas nuvens com o Senhor. Se por alguns a ideia da surpresa é rejeitada, uma grande maioria cristã prefere o que declara as Escrituras que destacam o elemento surpresa (Tt 2.13; Mt 24.35,36,42-44; 25.13). Esse elemento é fundamental porque a Igreja vive na esperança da vinda do Senhor. 2. Invisibilidade (1Ts 4.17). Por que será um evento invisível e para quem? Será invisível para o mundo material porque os arrebatados serão constituídos somente dos transformados. A transformação será tão rápida, que nenhum instrumento cronológico terá condição de perceber ou marcar o tempo. Quando o crente conquistar esse corpo imaterial, a matéria perderá totalmente sua força (1Co 15.43,44,49,51,53). 3. Imaterialidade (1Co 15.42, 52,53). Na verdade, a transformação que ocorrerá na vinda do Senhor será extraordinária e gloriosa, pois o que é material se revestirá do imaterial, o corruptível do incorruptível. Todas as limitações da matéria em nossos corpos serão anuladas completamente, pois, literalmente, nossos corpos serão revestidos de espiritualidade. 4. Velocidade (1Co 15.52). Para tentar explicar a velocidade do evento, Paulo usou o termo grego átomos, que aparece no texto sagrado pela expressão “num momento”, cujo sentido literal é indivisível (quanto ao tempo, aqui). A palavra átomos era usada para denotar “algo impossível de ser cortado ou dividido”. Também encontramos outras expressões bíblicas para denotar velocidade, tais como “abrir e fechar de olhos”, ou “o piscar de olhos”. Mesmo em época avançada e de velocidade da cibernética e da tecnologia, nada poderá contar e detectar o momento do milagre do arrebatamento da Igreja (7)arrebatadosharpadzo; Strong 726: capturar, agarrar, apanhar, pegar à força. A palavra descreve a ação do Espírito Santo ao transferir Filipe de um lugar para outro (At 8.39) e de Paulo sendo arrebatado para o Paraíso (2Co 12.2,4). Sugere o exercício de uma força repentina. O escritor do livro de Hebreus nos diz em Hebreus 9.28: “assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.” A primeira vinda de Cristo foi humilde, em um estábulo, e foi crucificado pelos homens, mas em sua segunda vinda, virá à terra para destruir seus inimigos, para julgar aos homens e estabelecer seu reino eterno. "Porquanto o Senhor mesmo... descerá dos céus..."(1 Ts 4.16). A ressurreição/o arrebatamento será o momento em que o Senhor Jesus deixará Seu trono no céu e virá pessoalmente ao encontro da Sua Igreja a fim de levá-la para a casa do Pai. Assim como um noivo vai ao encontro da sua noiva, o Salvador virá ao encontro dos que comprou pelo Seu sangue e os conduzirá para Sua glória. O Senhor não enviará um anjo ou qualquer outro emissário para fazer isso, Ele virá pessoalmente. Então se cumprirá literalmente a promessa de João 14.3: "E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou, estejais vós também." Assim como Ele em pessoa nos salvou e morreu na cruz por nós, assim como Ele mesmo foi preparar-nos lugar – Ele voltará pessoalmente para buscar-nos para Si, para que estejamos onde Ele está. Em inúmeras passagens do Novo Testamento somos conclamados a esperar a volta de Jesus a qualquer momento (por exemplo, em 1 Co 11.26; 1 Ts 1.10; Hb 10.37) (8).]


2. A vinda de Cristo em glória. Sete anos depois do arrebatamento da Igreja, o Senhor virá em glória, visível aos olhos humanos (Mt 24.30,31; Lc 21.25-28). Nesse retorno de Jesus à terra, Ele virá acompanhado dos santos (l Ts 3.13; Jd 14). O propósito aqui é julgar as nações (Jl 3.12-14; Mt 25.31,32), restaurar o trono de Davi (Zc 12.8-14) em cumprimento à promessa de Deus feita por meio do anjo Gabriel:"[...] e o Senhor Deus lhe dará O trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim" (Lc 1.32,33); destruir a besta e o falso profeta (2 Ts 2.8; Ap 19.19,20) e estabelecer o seu reino de justiça e paz na terra, o reino de Deus de mil anos (Is 2.4; Ap 20.2,3). [Comentário: Jesus usa uma linguagem clara, profética e simbólica para descrever sua volta. A lamentação das nações é uma alusão a Zacarias 12.10-12, e a vinda sobre as nuvens refere-se à posse do domínio por Cristo, profetizada em Daniel 7.13-14. Quando Cristo retornar à terra, ao fim do período da Grande Tribulação, Ele Se estabelecerá como Rei de Jerusalém, sentado no trono de Davi (Lc 1.32,33). Os pactos incondicionais exigem uma volta literal e física de Cristo para estabelecer o reino. O pacto de Abraão prometia a Israel uma terra, uma posteridade, um governante e uma bênção espiritual (Gn 12.1-3). O pacto da Palestina prometia a Israel a restauração e ocupação da terra (Dt 30.1-10). O pacto de Davi prometia a Israel perdão: meio pelo qual a nação poderia ser abençoada (Jr 31.31-34). A segunda vinda de Cristo, ainda que pessoal e visível, será muito diferente de Sua primeira vinda. Ele não voltará no corpo de Sua humilhação, mas num corpo glorificado e com vestes reais, Hb. 9.28. As nuvens do céu serão a Sua carruagem, Mt. 24.30, os anjos o seu corpo da guarda, 2 Ts. 1.7, os arcanjos os seus arautos, 1 Ts 4:16, e os anjos de Deus serão o seu glorioso séquito, 1 Ts 3:13; 2 Ts 1:10. Ele virá como Rei dos reis e Senhor dos senhores, triunfante sobre todas as forças do mal, havendo posto todos os Seus inimigos debaixo dos Seus pés, 1 Co 15:25; Ap 19:11-16. (Teologia Sistemática: Louis Berkhof). Jesus virá para destruir o Anticristo “E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo sopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda” (2Ts 2.8). Depois que Satanás e "o homem do pecado" realizarem sua obra de engano e maldade (vv. 9,10), serão aniquilados quando da vinda de Cristo à terra, no fim da tribulação (ver Ap 19.20). “Vi o céu aberto, e apareceu um cavalo branco. O seu cavaleiro chama-se Fiel e Verdadeiro, e julga e peleja com justiça”. (Ap 19.11). Este versículo narra o começo da segunda vinda de Cristo à terra, como Rei dos reis e Senhor dos senhores (v. 16). Ele vem do céu como o Messias-Vencedor (cf. 2 Ts 1.7,8) para estabelecer a verdade e a justiça (Sl 96.13), julgar as nações e aniquilar o mal (cf. Jo 5.30), trazendo conSigo os exércitos celestiais - incluem todos os santos que já estão no céu (cf. 17.14). Suas vestes brancas confirmam esse fato. É esse o evento que os fiéis de todas as gerações aguardam (9).]

3. A Grande Tribulação. É o período de transição entre a Dispensação da Igreja e o Milênio, um tempo de angús­tia e sofrimentos sem precedentes na história (Dn 12.1; Jl 2.2; Mt 24.21; Mc 13.19), também conhecido como "o Dia do Senhor" (Jl 1.15; 2 Pé 3.10). A Igreja não passará por esse período, que é conhecido como a "Grande Tribulação" (l Ts 1.10). Será a era do anticristo (2 Ts 2.7-9), identificado como a besta (Ap 13.2-8). O falso profeta será o porta-voz do anticristo, que enganará o povo por meio dos falsos milagres (Ap 16.13,14). O anticristo fará um concerto com a nação de Israel por uma "semana de anos" (Dn 9.27), mas na metade deste período o concerto será rompido, pois os judeus descobrirão que fizeram um acordo com o próprio Diabo. Só a partir daí é que começa o período da angústia de Jacó (Jr 30.7). Todos esses horrores estão registrados a partir do capítulo 6 de Apocalipse. Este período foi determinado por Deus para fazer justiça contra a rebelião dos moradores da terra e para preparar a nação de Israel para o encontro com o seu Messias (Am 4.12). [Comentário: Segundo o Dicionário de Profecia Bíblica, a Grande Tribulação é um “período de aflição e angústias incomuns que terá início após o arrebatamento da Igreja. Deus, o justo Juiz, estará enviando sobre o mundo o seu juízo” (Is 13.11). Este período de aflição e angústias terá a duração de sete anos (Dn 9.27 a — “semana de anos”). Ela ocorrerá, entre o arrebatamento da Igreja e a vinda de Jesus em Glória (segunda fase, para reinar). Só os santos escaparão desse período tenebroso. Os avisos dos juízos de Deus são prova do seu amor, visando livrar da destruição aqueles que aceitam a Cristo e obedecem à sua Palavra. Será uma aflição “como nunca houve” na Terra (Mt 24.21; Ap 7.13,14). A duração da Tribulação é de sete anos. Isso é determinado por uma compreensão das setenta semanas de Daniel (Daniel 9.24-27). A Grande Tribulação, na verdade, acontece na segunda metade desse período, com uma duração de três e meio. Distingue-se do período da Tribulação porque a Besta, ou o Anticristo, será revelada e a ira de Deus vai intensificar enormemente durante este tempo. Assim, é importante neste momento enfatizar que a Tribulação e a Grande Tribulação não são termos sinônimos. Dentro da escatologia, a Tribulação se refere ao período completo de sete anos, enquanto que a "Grande Tribulação" refere-se à segunda metade da Tribulação. A terra entrará em pânico total com a desaparição dos filhos de Deus, e em meio a desordem surgirá um ser que aparentemente solucionará os problemas mundiais, trazendo uma falsa paz. Este período de Grande Tribulação é o cumprimento literal da última semana de Daniel. (70ª Semana - Daniel 9.24 – 27) (10)]

4. O Tribunal de Cristo e as Bodas do Cordeiro. Enquanto a Grande Tribula­ção acontece na terra; no céu, os santos estarão recebendo a recompensa por aquilo que cada um fez em vida pela causa do evangelho (l Co 3.12-15; Ap 22.12). É o chamado Tribunal de Cristo (2 Co 5.10), a premiação dos salvos. Não se trata de um julgamento para  a salvação ou condenação. Todos os presentes já são salvos em Jesus, visto que a salvação é pela graça; aqui se trata de mais uma bênção aos salvos. Em seguida, virá a festa das bodas do Cordeiro (Ap 10.9), o grande banquete que celebrará a união de Cristo com a sua Igreja. [Comentário: Os crentes serão julgados? A Bíblia diz: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo...” (Hb 9.27). Até mesmo uma pessoa salva deverá passar por um julgamento, o julgamento do tribunal de Cristo. O julgamento de 1 Coríntios 3, com ênfase nos versos 13 e 14, refere-se aos cristãos, de modo que se alguém é salvo – é um filho de Deus – e é aí que ele se encaixa. O Tribunal de Cristo, desta forma, envolve crentes dando contas de suas vidas a Cristo. O Tribunal de Cristo não determina salvação; esta foi determinada pelo sacrifício de Cristo em nosso lugar (1Jo 2.2), e nossa fé Nele (Jo 3.16). Todos os nossos pecados são perdoados e nunca seremos condenados por eles (Rm 8.1). Não devemos olhar para o Tribunal de Cristo como Deus julgando nossos pecados, mas sim como Deus nos galardoando por nossas vidas. Sim, como dizem as Escrituras, teremos que dar conta de nossas vidas. Parte disto é, certamente, dar conta pelos pecados que cometemos. Entretanto, este não será o foco principal do Tribunal de Cristo. No Tribunal de Cristo, crentes são recompensados tomando-se por base o quão fielmente serviram a Cristo (2Co 9.4-27; 2Tm 2.5). As coisas pelas quais seremos julgados serão provavelmente o quão fielmente obedecemos à Grande Comissão (Mt 28.18-20), o quão vitoriosos fomos sobre o pecado (Rm 6.1-4), o quão bem controlamos nossa língua (Tg 3.1-9), etc. A Bíblia fala dos crentes recebendo coroas por diferentes coisas com base em quão fielmente serviram a Cristo (1Co 9.4-27; 2Tm 2.5). As várias coroas são descritas em textos como 2Tm 2.5; 2Tm 2.4-8; Tg 1.12; 1Pd 5.4 e Ap 2.10. Tiago 1.12 é um bom resumo de como devemos pensar no Tribunal de Cristo: “Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.”(11). As bodas ou casamento é do filho do Rei, o Senhor Jesus Cristo e sua noiva, a Igreja, sendo o local do casamento o grande dia final do Tribunal de Cristo, enquanto na terra, estará se findando a Grande Tribulação. O termo "bodas" vem do latim "vota", isto é, "votos", em alusão aos votos matrimoniais por ocasião do casamento. É uma festa de casamento. O termo é também plural porque tal festa durava sete dias e até 14 dias (Jz 14.12). Na festa, a alegria, solidariedade, entrega de presentes, paz, comunhão, comida farta, quebra copos e todos os costumes judaicos numa festa de casamento aconteciam ao som de muita música e com danças típicas. Isto nos leva a pensar na alegria e gozo imensuráveis que experimentaremos logo após o Tribunal de Cristo, quando nos sentaremos à mesa com Cristo, o nosso salvador (12).]

SÍNTESE DO TÓPICO III
O arrebatamento, a grande tribula­ção e vinda em glória são os eventos da segunda vinda de Cristo.

CONCLUSÃO
Essas amostras proféticas servem como garantias de que tudo o que está escrito para o fim dos tempos irá de igual modo se cumprir (Jr 1.12). A nossa esperança não se baseia numa utopia, mas em fatos revelados na Palavra de Deus e confirmados pela História. A escatologia bíblica é a continuação do processo histórico. [Comentário: Estudar e meditar sobre a vinda de Cristo promove nos remidos a fé e a esperança neste evento prometido pelas Escrituras. Não nos preocupemos demasiadamente com as várias teorias de interpretação, é importante conhecê-las e se posicionar com aquela que julgamos mais coerente; de fato, o que nos é preciso é permaneçamos, sim, atentos ao fato de que Jesus virá. Devemos estar preparados para encontrar com o Senhor. Diante da revelação acerca do futuro glorioso da Igreja, vale a pena buscar a santificação para poder participar dessa maravilhosa festa celestial. Nas Bodas do Cordeiro, só haverá alegria, com a presença de bilhões de crentes salvos, de todo o mundo, de todos os tempos, rodeados de anjos, do arcanjo, de querubins, serafins, dos quatro seres viventes e dos vinte e quatro anciãos.] “... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus ...” (Hebreus 12.1-2),

Lição 11: Crenças religiosas

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS
3º Trimestre de 2017
Título: Tempo para todas as coisas — Aproveitando as oportunidades que Deus nos dá
Comentarista: Reynaldo Odilo
Material de apoio gratuito aos professores e alunos de escola dominical que utilizam as revistas da CPAD

Lição 11: Crenças religiosas
Data: 10 de Setembro de 2017



COMENTÁRIO DA LIÇÃO
INTRODUÇÃO

Hoje, depois de dois mil anos, o conceito original de Cristianismo foi sociologicamente perdido, pois tudo que se faz sob o “símbolo da cruz”, chama-se de Cristianismo, não sendo feita nenhuma depuração, mas no início não foi assim. Ser cristão significava viver como Cristo e jamais o negar, ainda que para isso tivessem de morrer! Não se contaminariam com a cultura do mundo. Eles sempre estavam juntos, vivendo integralmente a contracultura do evangelho. Esse foi o segredo da Igreja Primitiva: produziu uma revolução cultural, pois quando a pessoa é transformada por Cristo, o mundo ao seu redor é mudado. O evangelicalismo deste tempo pós-moderno precisa voltar ao Cristianismo puro e simples. [Um “cristão” (em hebraico: 'messianista') é uma pessoa que tem fé em Jesus como o prometido “Cristo” ou “Messias” (literalmente, “ungido”) e é, por definição, “um seguidor de Cristo”. O Dicionário Vine diz: “christianos — uma palavra formada após o estilo romano, significando um aderente de Jesus". Segundo outra fonte, os cristãos são definidos como “os que pertencem ou são devotados a Cristo”. [1] A nota de rodapé na Bíblia de Estudo MacArthur diz que o nome cristão era originalmente um “termo de escárnio, significando 'do partido de Cristo'. Porém, nem todos os comentaristas (ou tradutores) da Bíblia concordam que o nome foi dado originalmente como uma palavra de escárnio ou desprezo. Sobre este ponto, o erudito bíblico do século 19, Albert Barnes escreveu: “se os discípulos assumiram o nome por si mesmos, ou se foi dado por indicação divina, tem sido uma questão de debate. Não é provável que tenha sido dado como forma de escárnio, pois no nome “cristão” nada havia de desonroso.” [2] Segundo outra fonte: “A palavra é formada com o sufixo latino que designa “seguidor ou partidário” (compare-se com os “herodianos”, em Marcos 3:6) Não existe razão válida para se pensar que o termo era usado como escárnio. Ele simplesmente significa as pessoas que seguem a Cristo”. [3] O primeiro nome, dado pela primeira vez em Antioquia aos seguidores de Cristo. No Novo Testamento, ele só ocorre em 1 Pedro 4:16, Atos 11:26; 26:27,28. O nome entre eles próprios era 'irmãos', 'discípulos', 'os do caminho' (Atos 6:1,3; 9:2), “santos” (Rom. 1:7). Como os judeus negavam que Jesus é o Cristo, nunca deram origem ao nome 'cristãos', mas os chamavam de 'Nazarenos' (Atos 24:5). Os gentios os confundiam com os judeus, e pensavam que eles eram uma seita judaica. Porém, começou uma nova época no desenvolvimento da igreja quando, em Antioquia, os gentios idólatras (não meramente prosélitos judeus dentre os gentios, como o eunuco, um prosélito circuncidado, e Cornélio, um prosélito incircunciso do portão) foram convertidos. Então os gentios precisaram de um novo nome para designar pessoas que não eram judeus, nem pelo nascimento, nem pela religião. E o povo de Antioquia era famoso por sua prontidão em dar nomes: Partidários de Cristo, Christiani, assim como Caesariani significava os partidários de César; e um nome latino, uma vez que Antioquia havia se tornado uma cidade latina. Mas o nome [cristão] foi designado divinamente (como chrematizo sempre exprime, At 11.26).” [5]. De fato, o que se depreende de tudo que já foi escrito é que os discípulos foram chamados de cristãos, porque eles adotaram Cristo como seu Mestre, creditando a ele suas doutrinas e seguindo o modo de vida estabelecido por ele. A igreja primitiva é o modelo mais excelente para todas as outras, em todos os tempos, em todos os lugares. Esta igreja tornou-se uma referência de igreja fiel, digna de ser imitada. Ao vermos em nossos dias as mais variadas igrejas, com as mais diversas liturgias, diferenças doutrinárias e denominações, nos perguntamos: “Qual é a igreja que queremos ser”? Ao olharmos para a igreja no livro de Atos 2, encontraremos as marcas de uma igreja verdadeira. Alguém já disse: “Só conseguiremos enxergar o futuro com os olhos do passado” [6].] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?
[1]   Anchor Bible Dictionary, Volume I (Nova York: Doubleday, 1992) pág. 925. (O grifo é nosso).
[2] Notas sobre o Novo Testamento, Explicativas e Práticas, Albert Barnes, editado por Robert Frew DD, Atos (Grand Rapids: Baker Book House, 1967) pág. 185 em inglês.
[3] Wycliffe Bible Commentary (Chicago: Moody Press, 1962) pág. 1144 em inglês.
[4] Atos 11:26
[5] Dicionário Bíblico Fausset, A. R. Fausset (Grand Rapids: Zondervan, 1963) pág. 126 em inglês. Seria mais correto dizer “como chrematizo quase sempre exprime”, ou “normalmente exprime” no Novo Testamento.

I. CRESCIMENTO EVANGÉLICO E CRENÇAS RELIGIOSAS

1. Século I. O crescimento vertiginoso do Cristianismo, no Século I, trouxe a necessidade de se fazer alguns ajustes, para acomodar todas as vertentes étnicas e culturais emergentes. Diante disso, os apóstolos se reuniram em assembleia, na Cidade de Jerusalém, para resolver esse impasse, e ali estabeleceram os comportamentos que deveriam ser praticados por todos (At 15.20-22). As recomendações apostólicas eram um extrato de amor, santidade e comunhão entre os cristãos do mundo, um ponto de convergência comportamental. Os cristãos primitivos construíram a unidade sem negociar a verdade, pois queriam seguir juntos, com uma cosmovisão sólida e coerente, para que crescessem consistentemente, delineando a identidade cultural cristã. Eles conciliaram o que era aparentemente inconciliável, porque o Espírito Santo alinhou os entendimentos. [O objetivo de um concílio eclesiástico, convocado sob orientação divina, é preservar a unidade da Igreja no ESPÍRITO SANTO e conservar a sã doutrina. [7]. Ao retomar da primeira viagem, Paulo deparou com um problema sério no meio. dos judeus cristãos. Ele havia descoberto a fórmula da transculturação, ou seja, evangelizar os gentios sem os judaizar. Os radicais que permeavam a Igreja, os judaizantes, queriam que esses novos crentes seguissem o modus vivendi deles. Essa discussão deu origem ao Concílio de Jerusalém. DEUS abriu a porta da fé aos gentios.. Isso era ponto pacífico (At 11.18; 14.27). Outro problema surgiu sobre a situação deles: deviam ser judaizados? Essa questão era séria e podia ameaçar as bases do Cristianismo. Alguns dentre os de Jerusalém foram a Antioquia, dizendo que os gentios deviam se tomar judeus para serem salvos. Diziam que os gentios deviam viver o modus vivendi judaico, prescrito na lei (At 15.1,5). Isso era proveniente dos fariseus que se haviam convertido. Eles se apresentaram como vindos da parte de Tiago (GI 2.12), que jamais os autorizou, como ele mesmo declara (At 15.24). Saíram da igreja em Jerusalém, realmente, mas não foram autorizados a falar em nome dos apóstolos. Em Antioquia da Síria, eles fizeram um estrago muito grande. Até Pedro e Barnabé se deixaram levar por essa "dissimulação", fazendo "vista grossa" (GI 2.11- 13). Paulo entendeu com clareza meridiana o que isso representava e com justiça ficou revoltado. Repreendeu publicamente um dos principais líderes da Igreja (GI2.14). O texto de Atos 15.1-5 tem ligação com o testemunho de Paulo registrado em Gálatas 1.7 e 5.10. Esta carta foi escrita antes do Concílio de Jerusalém, se "às igrejas da Galácia" (GI 1.1), for uma referência às igrejas da Galácia do Sul, que Paulo e Barnabé fundaram na primeira viagem missionária: Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. A DECISÃO DO CONCÍLIO:
1. "Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos". Esse preceito diz respeito às restrições que se referem aos alimentos sacrificados aos ídolos. Essa matéria foi aprofundada posteriormente por Paulo (Rm 14.13-16; I Co 8. 7-15; 10.23-33).
2. Proibição do sangue. A proibição de se alimentar de sangue está prevista na lei de Moisés (Lv 3.17). No entanto, ele era usado como alimento ou bebida pelos gentios.
Interpretar tal passagem, como proibição para a transfusão de sangue, sustentada pelas testemunhas-de-jeová, é uma "camisa-de-força" e não resiste à exegese bíblica. Primeiro, porque o sangue dessa passagem é o dos animais, e não o humano. Pois elas seriam obrigadas a admitir que a "carne sufocada" seja uma referência à carne humana. Em segundo lugar, porque nenhum preceito bíblico é nocivo à vida. Essa crença das testemunhas-de-jeová é condenada por JESUS (Mt 12.3-7).
3. Abstenção da carne sufocada. Esse preceito está na lei de Moisés (Gn 9.5; 17.10-16; Dt 12.16, 23-25). Era muito comum entre os gentios, e ainda hoje, abater animais sem o derramamento de seu sangue.
4. Abstenção da prostituição. O padrão moral deles estava muito aquém do judaico-cristão..Era grande o risco de os gentios convertidos naufragarem nessas práticas licenciosas. Havia nos templos a chamada "prostituição sagrada".
5. Caráter dessas regras. A expressão "destas coisas fazeis bem se vos guardardes" (v. 29) parece mais uma recomendação. Tiago acrescenta ainda: "Porque Moisés, desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem o pregue e, cada sábado, é lido nas sinagogas" (v. 21). Isso significa que os judeus têm o alto padrão de conduta e um modus vivendi exemplar, porque estudam sobre isso nas sinagogas todos os sábados. Os gentios não aprenderam os bons costumes, porque nunca tiveram quem os ensinasse. Por essa razão, o modus vivendi deles era precário. Aplicar essa conduta judaica aos gentios era o mesmo que afirmar que a graça do Senhor não era suficiente. A lei de Moisés seria o complemento para a salvação. Isso reduziria o Cristianismo a uma mera seita do judaísmo e, além disso, confundiria com a identidade judaica. Nesse caso, era como se os cristãos de hoje usassem o talit (manto usado pelos judeus religiosos) e o kippar (solidéo que eles usam sobre a cabeça), alimentando-se apenas de khasher, como os judeus; além de outros ritos, como condição para a salvação.
6. Uma questão de consciência. Essas regras eram o mínimo que se pedia dos gentios, para não escandalizarem os judeus cristãos. Porém, mais por amor a eles. do que um meio de salvação. Uns acham que se trata de injunções e não ordenanças obrigatórias, usando como base Romanos 14.13-16; 1 Coríntios 8.7-13 e 10.27-29. Os contrários dizem que o assunto tratado por Paulo nas citações acima, é outro. [8].]
[7] Lição 11- O Primeiro Concílio da Igreja de Cristo, Lições Bíblicas do 1º Trimestre de 2011 - CPAD - Jovens e Adultos, Atos dos Apóstolos - Até aos confins da terra, Comentários da revista da CPAD: Pr. Claudionor de Andrade
[8] Revista CPAD - 3º Trimestre de 1996 - Atos - O padrão para a Igreja da Última Hora - Pr. Ezequias Soares - Lição 13 - O PRIMEIRO CONCÍLIO APOSTÓLICO - CPAD.
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2. Séculos XX e XXI. O Brasil experimentou, ao longo das últimas décadas, um vertiginoso crescimento numérico da igreja evangélica. De acordo com o IBGE, em 1980 algo em torno de 6,6% dos brasileiros eram evangélicos; em 1991, o percentual passou a 9,0%; no ano 2000, subiu para 15,4% da população e no último censo, em 2010, o índice saltou para 22,2%, um aumento de cerca de 16 milhões de pessoas (de 26,2 milhões para 42,3 milhões). Talvez hoje os evangélicos brasileiros já totalizem mais de 50 milhões de pessoas! No Século I, a igreja cristã cumpriu a Grande Comissão e a comissão cultural, levando o evangelho da salvação e transformando a cultura do mundo antigo. Hoje, entretanto, não se visualiza a existência de uma contracultura produzida uniformemente pelas igrejas evangélicas. Prova disso é que, não obstante esse impressionante crescimento numérico, os índices de criminalidade, prostituição infantil, trabalho escravo, corrupção, dentre outras mazelas sociais, não têm diminuído. Numa análise matemática, o crescimento evangélico não está fazendo diferença na cultura nacional. Algo, então, precisa ser mudado, pois esse não é o efeito prático do Cristianismo puro e simples. [Seria correto afirmarmos que a igreja está em crise, fragilizada? Certamente que os muitos escândalos de alguns líderes a desautorizaram diante de uma sociedade perplexa. Mas diante de tudo isso, sabemos que a Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável, descrita pelo apóstolo Paulo, esta as portas do inferno não poderão prevalecer. Outra vez pergunto: Seria correto afirmarmos que a igreja está em crise, fragilizada? A verdade é que a igreja jamais irá perder sua beleza e relevância, até porque, como corpo de Cristo, não precisa de paredes para aprisioná-la. É livre, dinâmica e transformadora. Como escreve o Ver Hernandes Dias Lopes: “A igreja é chamada do mundo, está no mundo, mas não é mundo, antes chama do mundo aqueles que devem pertencer à família de Deus; A igreja só é relevante quando é totalmente diferente do mundo. A amizade da igreja com o mundo é uma desastre (Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17; Rm 12.2). Quando a igreja tenta imitar o mundo para atrair o mundo, ela perde sua capacidade transformadora.”[9].]
3. Sincretismo evangélico. Algumas crenças religiosas evangélicas pós-modernas são eminentemente sincréticas, ou seja, misturadas com elementos cultuais da sociedade, notadamente dos elementos cultuais místicos dos católicos, espíritas, dos cultos afros e até das religiões indígenas. Uma miscelânea de ideias e conceitos antagônicos, que buscam o resultado a qualquer custo. Daí advém a realização de novenas, o uso do sal grosso, rosa ungida, a deificação de líderes (cujo suor pode curar), a formulação de poções feitas com dezenas de ingredientes “mágicos”, dentre inúmeras outras práticas, que indicam que os “convertidos” permanecem prisioneiros do misticismo, embora tenham alterado o rótulo religioso. [O texto que se segue é uma reprodução do artigo Sincretismo Evangélico: Absorção ou Retenção?, de autoria de Humberto Ramos, disponível no site Púlpito Cristão: “O seguimento evangélico que hoje mais cresce no Brasil é chamado de neopentecostalismo, seguimento que, procurando adequar-se ao mundo globalizado e plural, até onde se pode perceber, tem decidido investir em uma gama de ingredientes encontrados nas esferas mais populares da espiritualidade latino-americana. Amuletos, objetos sagrados, flores, água benzida (orada ou ungida, na terminologia neopentecostal), a concepção dualista do bem e do mal, e a elaboração de uma teologia superficial sem muitas implicações no âmbito social, mas que na dimensão individual funda-se na relação de troca com o divino. De forma que, contribuindo financeiramente com a Igreja, a benção será concedida. Comparecendo sete sextas-feiras em determinada campanha, o sonho será realizado. Tal direcionamento é tão notório que nem mesmo carece de exemplos. Uma olhada nos programas neopentecostais na mídia televisiva basta para se ter uma noção de como tem-se desenvolvido essa nova manifestação religiosa. É curioso que os estudiosos ainda o considerem como sendo parte do protestantismo. Embora possam, de fato, ainda ser chamados de evangélicos, tem-se tornado incabível creditar a eles qualquer ligação essencial com o protestantismo, uma vez que as suas ênfases teológicas colidem em tudo aquilo defendido pelos reformadores. As novas liturgias, em tons de encenações profundamente simbólicas e a mistificação de palavras, gestos e objetos, destoam por completo do caráter iconoclasta das igrejas protestantes. Em outras palavras, o protestantismo inicial posicionou-se radicalmente em relação a qualquer prática supostamente oferecesse ao crente qualquer vantagem diante de Deus ou servisse de moeda de troca para fins de recebimento de bênçãos” [10].]
Pense!
No lugar em que o Cristianismo puro e simples chega há, necessariamente, mudança cultural?

Ponto Importante
Com a chegada do Cristianismo verdadeiro há, sempre, uma revolução cultural, pois quando uma pessoa é transformada por Cristo, o mundo ao seu redor é mudado.

II. OS MALES DO SINCRETISMO CULTURAL E RELIGIOSO
1. Pregação da cultura do mundo. A pregação cristã deve se basear exclusivamente nas Escrituras (Sola Scriptura), mas quando o sincretismo religioso surge, elementos culturais e doutrinários são incorporados gerando apostasia. Exemplo disso são pregações que ensinam e estimulam o amor ao dinheiro e às riquezas. Isso caracteriza a igreja utilitarista, ou seja, se os resultados numéricos (e financeiros) forem positivos, então o método e a doutrinação podem (e devem) continuar. Nessa esteira, muito tem proliferado a famigerada teologia da prosperidade, a qual coloca os bens materiais em posição de destaque na vida, estimulando a busca deles. Inclusive, é bom lembrar que não foi Jesus quem disse: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”, mas o próprio Diabo (Mt 4.9). Todo cuidado é pouco. [Sola Scriptura, segundo a Reforma Protestante, é o princípio segundo o qual a Bíblia tem absoluta primazia ante a Tradição legada pelo magistério da Igreja Cristã, quando, os princípios doutrinários entre esta e aquela forem conflitantes. As Escrituras são a única regra de fé e prática. A Bíblia é completa, dotada de autoridade e verdadeira. “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3.16). Sobre a igreja utilitarista, a revista Ultimato Online traz o seguinte artigo: “’Utilitarismo do sagrado’ - Vivemos em uma sociedade cheia de apelos e seduções, uma sociedade em que as pessoas são induzidas por meio de um sistema agressivo de marketing a um intenso desejo de consumir produtos e serviços, consumo esse que gera mais insatisfação do que qualquer outro resultado. Estes apelos são perceptíveis, também, nos ambientes eclesiásticos, onde o sagrado é negociável e manipulável, entretanto esquecem que o sagrado em si mesmo já seduz o ser humano, pois ele é mistério e se relaciona na esfera do desconhecido. E se não bastasse a atração própria do sagrado, existem pessoas que legitimam suas ações em nome de Deus para atraírem outras a terem contato com o sagrado. Não incluo aqui apenas líderes, pastores, ministros, mas, descrevo também cristãos comuns, sem nomes, sem cargos, membros de igrejas que consciente ou inconscientemente, pregam o utilitarismo do sagrado. Quantas vezes não falamos para amigos, colegas ou conhecidos que estão passando por dificuldades: "Vai lá na igreja que Deus pode te ajudar", ou então, "entre na campanha da vitória na minha igreja e seu problema será resolvido", enfim, a verdade é que criamos no imaginário do outro uma forma de comercialização com Deus, uma verdadeira relação de barganhas com Deus. Assim, o que parece é que temos um grupo de pessoas nas igrejas, motivado não pela busca por Deus, mas pela satisfação de necessidades pessoais. Não podemos esquecer que a experiência com o sagrado requer de nós seriedade, temor a Deus, que podemos traduzir como "levar Deus a sério". Mas, infelizmente, o que percebemos é a inversão desses valores no momento em que as pessoas não estão servindo a Deus, mas estão servindo-se de Deus. O sagrado na pós-modernidade tem se tornado mais um objeto de consumo entre tantos outros, e a responsabilidade para mudar essa realidade está em nós.” [11].]

2. Humanismo secular. Consequência indissociável do sincretismo de certas crenças ditas evangélicas é o aparecimento do humanismo secular, — o homem se torna o centro de todas as coisas. O humanismo tira a primazia de Deus e faz o homem assentar-se soberano; então, assim, a obra de Deus se transforma em “ministério” desta ou daquela celebridade, o púlpito da congregação se transforma em palco e o culto, em show. Como se não bastasse, são outorgados títulos ufanistas aos líderes, tais como apóstolo, patriarca, sumo-sacerdote, e até rei, dentre outros, de maneira a identificá-lo acima dos demais líderes cristãos. Isso é humanismo secular e trata-se de uma apostasia à fé cristã. [O humanismo secular é uma postura filosófica (alternativamente conhecido por alguns adeptos como "Humanismo", especificamente com H maiúsculo para distingui-la de outras formas de humanismo) que abraça a razão humana, a ética, a justiça social e o naturalismo filosófico, rejeita especificamente dogmas religiosos, o sobrenatural, pseudociência ou superstições como a base da moralidade e de tomada de decisão. Ele postula que os seres humanos são capazes de ser éticos e morais sem religião ou sem um deus [12]. Vivemos uma época de muitas nomenclaturas ministeriais no meio evangélico brasileiro. Alguns líderes de diferentes denominações cristãs, mesmo atuando nas mesmas funções, usam termos e nomes diferentes como apóstolos, pastores, bispos, presbíteros e muitos outros. Infelizmente conseguimos identificar que alguns ministros usam algumas nomenclaturas bíblicas por uma busca de autoridade eclesiástica e um suposto poder espiritual, criando assim uma visível contradição quanto ao real significado do título e dos nomes na Bíblia [13]. É curioso observar como algumas igrejas evangélicas tem facilidade em aceitar novidades. E é triste verificar a falta de empenho dos cristãos em observar as Escrituras e analisá-las com sensatez e cuidado. Triste também é saber que poucas são as igrejas que motivam seus membros ao estudo sistemático da Bíblia, ao aprofundamento teológico, a formação de grupos de estudo e discussão sobre as doutrinas cristãs e que verifiquem na Bíblia se as coisas realmente são como é pregado. Aliás, não é pecado analisar se os ensinos e a pregação estão em conformidade com as Sagradas Escrituras (Atos 17.10-11). Nestes tempos de tantas novidades, algo chama atenção de maneira muito preocupante na história recente da igreja: trata-se do Apostolado Contemporâneo, ou Restauração Apostólica. Muitos têm se levantado como apóstolos nestes dias. Apóstolos ungindo apóstolos e criando uma hierarquia apostólica. Alguns pastores que, talvez por se sentirem menores que seus colegas de ministério que foram ungidos como apóstolos, ungem-se a si mesmos e se auto-proclamam apóstolos. Não há fundamento para o chamado ministério apostólico contemporâneo pelo simples fato do mesmo não possuir respaldo bíblico. [14].]

3. Uma longa história. A história do sincretismo do fenômeno religioso é bastante antiga. Quando Moisés demorou a descer do monte, os israelitas fizeram um bezerro de ouro “egípcio” e disseram que aquele era o Senhor. Jeroboão I, ao criar os altares em Dã e Betel, iguais ao de Damasco, convenceu o povo que aqueles lugares seriam os substitutos do Templo em Jerusalém. As consequências em ambos os casos foram terríveis. Paulo, quando escreveu aos Gálatas repreendeu-os severamente pelo sincretismo daquela igreja. Eles estavam colocando as experiências religiosas acima das Escrituras. Então o apóstolo dos gentios recomendou que não aceitassem outro evangelho, nem que fosse pregado por um anjo (Gl 1.6-8). Qualquer “revelação” que contrariasse a “cosmovisão judaico-cristã” deveria ser considerada uma maldição. [Sincretismo é a fusão ou mistura de religiões ou filosofias estranhas, ou seja, é o processo pelo qual aspectos de uma religião são assimilados ou misturados com outra, levando a mudanças fundamentais em ambas [15]. Dentro desta miscelânea de revelações e novidades que temos observado, é importante expressar-se sobre o caráter das revelações: 1) as revelações nunca deverão ser colocadas acima da Bíblia. A Bíblia é a palavra final e autoridade máxima, já que se trata da inerrante Palavra de Deus; 2) Se a revelação está em desconformidade com a Bíblia, descarte imediatamente tal revelação. Deus não é Deus de confusão (1 Coríntios 14.33) As experiências pessoais não podem ser colocadas acima das Escrituras Sagradas, pois estas já contêm a revelação do propósito de Deus ao homem. O Pr Renato Vargens escreve em seu Blog: “A Igreja brasileira tem sido influenciada tanto pelo secularismo como pelo misticismo. Na verdade, o adversário das nossas almas é astuto e de forma incisiva tem atacado a igreja do Senhor. Pois bem, para nossa tristeza o comportamento de algumas das igrejas chamadas "evangélicas", cada vez mais tem se aproximado dos rituais espíritas. Lamentavelmente, em alguns dos denominados templos evangélicos é comum encontrar inúmeras aberrações teológicas.  Tais igrejas, de forma sincrética tem usado em seus cultos sal grosso para espantar mal olhado, fazem a terapia do amor que trás a pessoa amada em sete dias, acreditam em videntes espirituais, distribuem balas consagradas para “abençoar” crianças, frequentam reuniões do descarrego, elaboram despachos gospel, bebem a garrafada do tempo dos apóstolos, ungem com óleo  objetos inanimados, quebram  maldições hereditárias, expulsam encostos, fazem atos proféticos, e muito mais. Diante disso acredito que mais do que nunca precisamos tomar algumas posturas imediatas tais como: 1- Fazer das Escrituras nossa única e exclusiva regra de fé. 2- Treinar e capacitar melhor os nossos pastores. 3- Resgatar a importância do estudo bíblico e do ensino nas Igrejas Locais. 4- Fortalecer a Escola Bíblica. Que Deus tenha misericórdia do seu povo e nos leve a um genuíno arrependimento” [15].]

Pense!
A sincretização dos rituais e doutrinas religiosas não são importantes para trazerem mais pessoas ao conhecimento da verdade?

Ponto Importante
Paulo advertiu sobre o perigo do sincretismo religioso, alertando que qualquer “revelação” que contrariasse o Evangelho deveria ser considerada uma maldição

III. O PERIGO DO ADULTÉRIO ESPIRITUAL
1. Tempos trabalhosos. Uma vez consolidada a corrupção de uma prática cristã, seja ela cultural, seja doutrinária, aos olhos do Senhor surge um adultério espiritual, o que Deus não tolera. Abundantes são os casos, na Bíblia, em que homens cometeram adultério espiritual e foram severamente punidos. Podem-se citar os acontecimentos envolvendo Nadabe e Abiú, os filhos de Eli, Uzá, Uzias, dentre outros. Episódio igualmente impressionante foi o de Ananias e Safira (At 5.1-7). Eles mentiram para o apóstolo Pedro, em um ambiente de culto, o que ocasionou suas mortes imediatamente, porque não havia apenas avareza, mas também um sentimento de zombaria, de desprezo pelas coisas do Senhor, um adultério espiritual. Isso acendeu o zelo de Deus. O juízo foi rápido, em cumprimento ao que está escrito: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). [O Dr. R. C. Sproul nos revela que este é um problema antigo: No Antigo Testamento, Deus esta profundamente preocupado com a pressão e a tentação do sincretismo. Enquanto o povo de Israel se movia em direção à Terra Prometida, foi confrontados com religiões pagãs. Os deuses cananeus, Baal e Aserá, tornaram-se objetos da devoção dos israelitas. Posteriormente, o povo de Deus adorou os deuses nacionais da Assíria e Babilônia. A Lei de Deus advertia claramente a Israel não somente contra abandonar o Senhor Deus por outros deuses, mas também contra adorar deuses juntamente com o verdadeiro Deus. Os profetas advertiam quanto aos juízos que viriam porque o povo modificava sua fé para acomodar doutrinas e práticas estrangeiras. (R. C. Sproul, 3º Caderno). E que perdurou no tempo do Novo Testamento: O período do Novo Testamento foi marcado por um sincretismo difuso. À medida que o Império Grego se expandia, seus deuses se mesclavam com os deuses nativos das nações conquistadas. O Império Romano também era receptivo a toda sorte de cultos e religiões místicas. O cristianismo não ficou incólume. Os pais da Igreja não só difundiram o evangelho, mas também lutaram para proteger sua integridade. O maniqueísmo (filosofia dualística que via o físico como sendo mau) insinuou-se em algumas doutrinas. O docetismo (ensino que negava que Jesus tinha um corpo físico) foi um problema mesmo enquanto o Novo Testamento estava sendo escrito. Muitas formas de neoplatonismo fizeram um esforço consciente para combinar os elementos da religião cristã com a filosofia platônica e o dualismo oriental. A história dos credos cristãos é a história do povo de Deus buscando separar-se das tramas das religiões e filosofias pagãs. Todas as gerações de cristãos enfrentam a tentação do sincretismo. (Idem). Assim como nos dias hodiernos: A igreja hoje ainda enfrenta o mesmo problema. Filosofias não-cristãs, como o marxismo ou o existencialismo buscam o poder do cristianismo enquanto renunciam àquilo que é unicamente cristão. O sincretismo continua sendo poderosa ferramenta para separar Deus de seu povo. (Idem).]

2. Subcultura. O sincretismo evangélico tende a produzir apenas uma subcultura do mundo, e não uma contracultura do Reino, ou seja, as pessoas passam a viver com particularidades culturais cristãs, sem, todavia,desprenderem-se do modo de vida dominante no mundo. Há uma conformação aos moldes sociais (Rm 12.2), uma aceitação tácita da cultura secular. Tal fato pode ser observado em algumas crenças religiosas do tempo atual que, por exemplo, não enxergam pecado na prática do sexo antes do casamento, aceitam a realização do aborto e do casamento homossexual, admitem toda forma de sensualidade e desejo da carne.[No site Púlpito Cristão, o artigo ‘Sincretismo Evangélico: Absorção ou Retenção?’, de autoria de Humberto Ramos, afirma: “São fascinantes as pesquisas que se dedicam com esmero em explorar as nuances do sincretismo religioso, em especial o sincretismo na esfera da Cristandade. Em se tratando do panorama nacional, pode-se dizer que desde cedo, ao passo em que se construía uma sociedade genuinamente brasileira – um povo resultante de uma série de misturas étnicas, culturais e religiosas –, a fé cristã (especificamente a Católico Romana) teve de duelar com crenças de diversos matizes. Conquanto a cristianização do Brasil tenha sido inicialmente agressiva, solapando a cultura e as crenças dos índios e, logo depois, dos negros trazidos para trabalharem como escravos, não pode-se falar em vencedor neste duelo. Basta olhar para o cenário religioso brasileiro para perceber a existência de dois tipos de catolicismo. O catolicismo clerical, teologicamente elaborado e dogmatizado, e o catolicismo popular, eivado de superstições e elementos originários dos cultos afroamerindios (não é conveniente tratar aqui o catolicismo liberal, que tem crescido no seio da Igreja Romana. Sem dúvida, houve uma absorção dos elementos das crenças indígenas e africanas, fundindo-se com o catolicismo português (que já veio com sua parcela de sincretismo.”[18]. Neste mesmo artigo, o autor afirma que no protestantismo, o ramo que se degenerou com o sincretismo foi o pentecostalismo. Claramente ele não faz distinção entre as correntes pentecostais, mas o que podemos observar é que as igrejas neo-pentecostais são as que apresentam esta subcultura, esta apreensão dos elementos sincréticos antes combatidos, que agora são incorporados às suas crenças. O pentecostalismo clássico se pauta pelas Escrituras (ainda que não devamos fazer vistas grossas para os desvios que há entre nós), pela pureza doutrinária, pela boa influencia do Evangelho na sociedade onde estamos inseridos.]

3. Cristianismo puro e simples. O resultado prático de se viver o cristianismo na sua forma original é o estabelecimento de uma contracultura capaz de responder efetivamente a qualquer questionamento de ordem emocional, espiritual ou social. Está escrito que os crentes primitivos “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão [...] E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (At 2.42,47). [Onde o verdadeiro Evangelho é pregado há transformação devida tanto para os que são agregados à comunidade da fé quanto aqueles que deixam de se converter, estes gozam das benesses do Evangelho mesmo sem dar-lhe o devido valor. Isso porque o evangelho abrange tudo a respeito da vida, tanto nesta vida presente quanto na vida futura. Como você se posiciona frente aos vários acontecimentos do mundo? Qual a sua opinião a respeito do aborto e da sexualidade? Como você vê o casamento? Qual deve ser o destino da educação e da política? À estas perguntas temos o barema das Escrituras, são elas que norteiam nosso entendimento e conduta. Colocando em prática esta cosmovisão, a sociedade onde estamos inseridos será influenciada.]

Pense!
As crenças religiosas não devem se atualizar, compatibilizando-se com os avanços sociais e políticos da sociedade contemporânea?

Ponto Importante
As denominações evangélicas não devem, em nome da liberdade cristã, dar ocasião ao pecado, pois sem a santificação ninguém verá o Senhor (Hb 12.14).

CONCLUSÃO
A revolução do Cristianismo continua em ação, porém tem-se observado a ausência de identidade com Cristo de algumas crenças religiosas “cristãs”, o que é dramático. Em qualquer tempo, o indivíduo que se entregar ao Senhor, como fizeram os primeiros cristãos, experimentará algo extraordinário, inigualável, e receberá uma nova vida em Cristo (2Co 5.17), criando ao redor de si uma contracultura transformadora. [Observando o cenário atual da igreja Brasileira, parece que as igrejas evangélicas tem abandonado a tarefa de serem contracultura; temos esquecido nosso papel de ser a resposta e alternativa à cultura imperante, e pior que isso, temos nos conformado em ser vistos como uma subcultura, uma fragmento a mais, uma opção a mais no supermercado de filosofias, seitas e religiões oferecidas no balcão da mídia. A proposta não é declararmos uma ‘guerra santa’ contra a cultura humanista ora em voga, nossa guerra não é contra carne e sangue, não devemos estabelecer um embate entre evangélicos conservadores e humanistas seculares sobre temas como o aborto, a educação pública e a religião, a homossexualidade e outra quantidade de temas controvertidos. Precisamos resgatar os valores do Reino dentro de nossas igrejas, vivê-las, ensiná-las. O que temos visto, na verdade, é o surgimento de uma subcultura evangélica, com os mesmos valores da cultura dominante! Com seus próprios programas e canais de televisão, sua diversão e entretenimento, sua publicidade paga, seus noticiários, revistas e ofertas especiais. Claro que ainda tem valores e princípios especiais, mas na realidade representam uma cópia da cultura que atacam. Tornaram-se uma subcultura e tem perdido a possibilidade de ser verdadeiramente uma contra-cultura.] “... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus ...” (Hebreus 12.1-2),